Toda semana sou procurado por algum funcionário de agência de publicidade para ser questionado sobre Advergames. Geralmente querem saber como utilizar um jogo na campanha do seu cliente.
A questão é que a maioria das idéias que essas pessoas têm não vão trazer resultado para a marca, muito pelo contrário, pode até “queimar o filme” do anunciante. Esee é o ponto que temos que observar, tomar cuidado e planejar nossas ações.
O mercado está mais aquecido, e é hora das pessoas se especializarem. Fazer um jogo “todo mundo” faz. Assim como tirar fotografia, programar, criar um layout… “todo mundo” faz. Mas o especialista faz com propriedade. Existem técnicas, métodos e diversas dicas para criar um Advergame campeão.
Dia 04 de Abril acontece a segunda edição do curso Criação de Advergames da 8D, onde sou um dos professores. O curso é extremamente prático, dinâmico e focado na criação do jogo. Durante 1 dia, partimos do zero até finalizarmos com um jogo criado, passando por teoria, técnicas de roteiro para advergames, ambientação e personagens, dinâmicas e regras e como obter ROI com a peça interativa.
O curso é bem prático, separando a turma em equipes e conduzindo seu potencial criativo aliada com as técnicas. Quer saber o que os alunos acharam da primeira edição? Leia aqui os comentários.
participantes da Ubisoft, EA, Gabba e Abdução. Mediação por Guilherme Tsubota.
Estavam presentes na mesa profissionais renomados do mercado: Carlos Estigarribia (EA Mobile), Danilo Almeida (GABBA), Daniel Garcia (Abdução) e Nicholas Souza (Ubisoft), além do mediador que aqui escreve, Guilherme Tsubota
Fiz uma breve apresentação de cada um dos participantes. Danilo é formado em Design Digital, Carlos é Engenheiro da Computação formado pela PUC-Rio, Daniel estudou Comunicação Social (PP) e Nicholas é bacharel em Game Design pela Anhembi-Morumbi (1a turma de formandos).
Cada um contou um pouco a sua tragetória profissional até o momento atual. É interessante observar que todos afirmaram o “amor” aos games. Realmente, o caminho não é fácil, as vagas são poucas e esse mercado não é dos maiores salários. Para conseguir uma boa vaga tem que ser um bom profissional, comprometido, apresentar resultados, ter foco e fé.
Sim, fé. A palavra fé foi dita diversas vezes. será que isso é para assustar ou incentivar os estudantes do setor? Ou será que é a dura realidade do mercado? Gosto de apostar na realidade, pois assim como em qualquer vertical, trabalhar com games requer perseverança e constante atualização do profissional.
Como diz um amigo, No Pain No Gain!
debate IGDA na Campus Party Brasil 2009
A filosofia Nike também tem tudo a ver: Just Do it. Você quer batalhar por um bom emprego? Faça. Faça demos, crie personagens, roteiros. Faça animações, modelagem 3D. Programe, crie código. É fundamental mostrar o que você sabe fazer, ter o seu portfólio. Por que não criar um blog com tudo isso?
É consenso entre todos da mesa a contratação de pessoas que mostraram serviço, de alguma forma. Você não precisa criar um jogo completo, mas mostrar potencial.
Outro ponto interessante foi a discussão sobre o profissional especialista x generalista. Aquela pessoa que faz tudo está em baixa nesse momento nas empresas de games. A necessidade principal são os especialistas: programação, design, roteiro, trilha sonora, modelagem 3D, game designer. Foque na área que mais lhe agrada e estude, evolua, mostre seu portfólio.
profissionais reunidos antes do debate: Tsubota (iG/8D), Carlos (EA), Nicholas (Ubisoft) e Daniel (Abdução)
A velha discussão sobre pirataria foi um dos temas. Infelizmente é algo complexo, que envolve desde a atuação das empresas, profissionais, acadêmicos, até a cultura do próprio consumidor. Não é só o fato de um game custar aproximadamente 200 reais. Também não é só o fato do brasileiro querer tudo de graça.
Aliás, foi interessante a metáfora do jogo pirata com uma festa. O brasileiro, via de regra, quer sempre dar um “jeitinho”, por exemplo entrar de graça em uma festa. Vale até falar que é amigo do baterista! Se ele é assim por criação, por que não querer um jogo de “graça” também? (assunto complicado)
Nicholas falou algo muito interessante. Um jogo pirata custa em média 10 a 20 reais. Quem compra jogo pirata, geralmente compra uma média de 5 a 10 jogos por vez. O fato é que essa pessoa não joga nenhuma das suas aquisições a fundo, não “zera” nenhum jogo. Oras, por que não comprar um jogo original e realmente aproveitá-lo ao máximo? Jogar diversas vezes, “zerar” o game, curtir todas as fases?
No final, a sensação de aproveitamento do investimento é muito maior! Particularmente, gostei desse ponto. Parabéns, Nicholas.
Para finalizar, gostaria de agradecer as diversas iniciativas de profissionais espalhados pelo nosso Brasil para ajudar a indústria dos games. Somos pioneiros, isso é fato. E como todo pioneirismo, muitos ficam pelo caminho, poucos efetivamente vencem. Mas todos foram fundamentais para abrir as portas para a próxima geração de profissionais. Tenho fé que o trabalho que fazemos hoje para divulgar e profissionalizar esse mercado será reconhecido no futuro.
Há pouco tempo não imaginávamos um estúdio como a Ubisoft no Brasil. E agora é tanto realidade que ele cresceu com a aquisição da tupiniquim-gaúcha Southlogic. Maravilha, ponto para nós! Apesar de ser ótimo, quero ver notícias de profissionais sendo reconhecidos, contratados, estúdios startups aparecendo e coisa do tipo.
A IGDA – International Game Developers Association promoverá no dia 21 de janeiro, a partir das 21h, o debate “Se joga! Como entrar no competitivo mercado de games” durante o Campus Party 2009, nas dependências do Centro Imigrantes, em São Paulo (SP).
Destinado a estudantes e profissionais que desejam ingressar no mercado de games e não sabem por onde começar, o debate ajudará os participantes a passarem para a próxima fase, tratando de temas como:
Etapas e atores no desenvolvimento de um game.
Formação necessária.
Principais obstáculos.
Melhores caminhos.
E o grande dilema: Especialização ou generalização?
Para a discussão destes assuntos, com foco principal na colocação profissional do estudante de games, compõem a mesa redonda: