Há quem gostasse, há quem não concordava com ele. Seu blog era uma diversão à parte para ler as opiniões francas do velhinho português.
Em seu , foi publicado hoje:
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma."Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
O senhor gostava de ser franco. E num desses devaneios falou sobre o Second Life. Não comentarei nada a respeito, mas deixo aqui as suas palavras, uma pequena homenagem a esse Nobel da Literatura.
Escrevi esse post no dia dos professores de 2009. Não o publiquei e não publicarei, mas resolvi fazer uma carta sobre algumas coisas que eu penso a respeito dos profissionais, professores e instituições de ensino.
Para quem não sabe, além da minha veia empreendedor, eu sou professor. Ministro aulas desde meados de 1998, entre cursos livres, palestras, workshops, graduação e pós-graduação.
Entre 1997 e 1999 convivi com pessoas iluminadas no (Programas de Estudos e Pesquisas no Ensino da Matemática), um grupo criado na PUCSP com 4 pilares:
a formação inicial de professores que trabalham com Matemática
a formação continuada de professores em serviço
a pesquisa em ensino de Matemática
a elaboração e difusão de documentos para educadores
E 2 objetivos:
Contribuir para formação inicial e continuada dos professores de Matemática
Prestar serviços à Comunidade
O segundo objetivo - prestar serviços à Comunidade - sempre me incomodou. Mas aquele incômodo bom, do bem, que faz você se mexer e fazer algo melhor, sabe?
Veja bem, sempre dei muito valor para os estudos e pessoas que realmente contribuíram com algo para o ser humano (e não para a sociedade). A cura de uma doença, um novo método para reciclagem eficiente de lixo tóxico, um algoritmo para desenvolver uma prótese mecânica que gere um bem estar maior. Talvez um estudo para entender melhor os efeitos cósmicos em nosso organismo ou no planeta em que vivemos, ou entender o processo evolutivo da natureza e assim prever onde a Terra vai parar com tanta desmatação, e como evitar isso.
Enfim, entenderam o tipo de coisa que estou falando, não?
Eu vejo uma ode, um apelo marketeiro para as coisas mais banais da vida. Ok, ok, faz parte, temos que entender que o mundo é capitalista, e selvagem. Ontem vi uma movimentação, um gasto de energia absurdo para criar piadas em prol da escalação do time do Brasil para a Copa de 2010. Mas não vejo essa energia ser gasta em outras coisas, muito mais importantes e fundamentais para o nosso futuro, e dos nossos filhos, e netos, e etc.
Eu mesmo, faço games. O que um game pode levar de bom para o futuro do planeta?
Talvez diminuia o estresse de uma pessoa no final do dia e assim evite problemas cardíacos? Ou permita com que ela não faça nenhuma "besteira" maior?
Talvez ensine alguma coisa de uma cultura nativa para uma sociedade / geração cada vez mais "to nem aí para as minhas raízes", como é o caso do jogo Pibmirim, que conta sobre os índios do Brasil?
Talvez ajude pessoas com problemas mentais ou acidentados a se esforçar mais e melhorar?
Talvez não leve a nada além de simples diversão?
Sobre isso, eu compartilho o que minha colega de profissão, Jane McGonigal, disse em sua palestra no TED: "".
Basicamente, Jane diz que se conseguíssemos usar a energia e concentração que as pessoas utilizam enquanto jogam, para outros fins mais nobres, muitos problemas do nosso planeta seriam facilmente resolvidos.
Pense a respeito!
Imagine o tempo que você perde criando piadinhas bobas com hashtags, ao invés de responder aquele email importante para um amigo. Lembre do tempo que perdeu tirando sarro daquela senhora velha que leva comida para os animais vira-latas que moram na esquina da sua rua. Pense na energia gasta para preparar alguma gozação com um colega de trabalho, que simplesmente fez ele ficar chateado e com um sorriso amarelo no rosto.
Bom, ninguém é Santo, e muito menos eu. Tenho raiva, inveja, rancor, tristeza e outros defeitos como qualquer pessoa normal. Mas ao menos eu resolvo seguir adiante, tentando solucionar os problemas à minha maneira. Ficar de braços cruzados? Comigo não.
Vamos usar a energia gasta em besteira para coisas do bem! Como os ativistas das bikes, que usam a tag para divulgar notícias, dicas e tudo o que é relacionado a andar de bicicleta. Isso vai melhorar a sua saúde, o seu humor, ajudar no trânsito da sua cidade e a diminuir a poluição.
Outras diversas iniciativas existem por aí. Procure a que mais te anima, e faça. Just Do It! (isso não é um comercial da Nike)
E onde, teoricamente, essas iniciativas deveriam existir em maior quantidade? Nas universidades, antro dos "seres iluminados" que vizam o conhecimento em prol do homem.
Infelizmente isso não é o espelho da realidade, e a grande maioria (e não todas) das universidades e centros de pesquisa viraram empresas focadas em lucro, meramente. Educação, pra quê? O interesse principal é se tornar cada vez maior, crescendo, comprando faculdades menores, atraindo clientes... ops.... alunos para a sua grade de cursos.
A academia virou uma fábrica moderna, a la "Tempos Modernos" de Chaplin. Uma produção em série de cérebros não-questionadores e de pouca capacidade analítica. Oras, seguir o by-the-book é mais fácil, e o que não está descrito ali fica pra "alguém" resolver.
Quem é esse "alguém", se não estamos formando pessoas que realmente corram atrás da informação? Alunos, acordem!!! Saiam do barzinho e pensem no seu futuro. Você não é um cliente da faculdade, você não paga para pegar o canudo, e sim pra aprender.
Diversos estudos (na área de TI) comprovam que a mão de obra está mudando o seu perfil. Hoje temos muito mais usuários do que criadores, e em pouco menos de 10 anos teremos uma balança totalmente desequilibrada entre as pessoas que criam software, e as pessoas que supostamente deveriam criar. Novamente volto a dizer: as universidades não estão preocupadas com isso, além do valor da matrícula paga.
Outro ponto perigoso é o efeito alavanca, ou trampolim. Muitos professores estão na faculdade não para lecionar, mas sim apenas para rechear seus currículos com um cargo acadêmico, aumentando assim o valo do seu passe no mercado. Professores despreparados na alma, e que consequentemente não vão formar bons profissionais.
Bom, sinto em dizer que desisti da academia. Quando senti na pele a sujeira do mundo corporativo (falando do lado sujo da coisa) na facudade, eu desisti. Apesar de seguir todo o procedimento das regras da universidade descritas no edital para seleção de um professor para o curso "Jogos Digitais", passar por todo o processo seletivo com a entrega de documentos, aula aberta para uma bancada, etc etc etc.... descobri que uma indicação que não passou pelo processo conseguiu a vaga.
Pessoal, não estamos falando de um cargo de confiança executivo, ou de uma empresa. É a academia, local de estudos, aprendizado, formação de novos profissionais em seu caráter, ética e conhecimento. Se a entidade que provê isso não segue os princípios, como participar dela?
Acredito e conheço ainda alguns professores e escolas que seguem a tradição Mestre - Aluno. Não na sua rigidez, mas sim no conceito de aprendizagem. Não quero dar aula para um aluno que não me respeita como professor, ou que nem me dá a chance de mostrar o que eu posso contribuir para a vida dele. Eu acredito que a "evolução" (bah!) da sociedade, das instituições e etc são fundamentais para o crescimento de todos, mas pera aí..... alguns conceitos devem ser mantidos.
Bem.....
Voltando ao PROEM, apenas quero deixar como aprendizado a minha convivência com gênios da Matemática, como os(as) professores(as) Sandra, Vincenzo, Benedito, Ana, Célia, Maria Cecília, Lígia, Ruy, Saddo, Tânia, Scipione, dentre outros. Professores que tinham amor pela ciência, em mostrar de forma fácil os planos da geometria, os universos matemáticos, a beleza dos números. Professores que faziam o que faziam simplesmente pelo ato de ensinar, e ver o conhecimento nascer.
Gostaria, seria um orgulho, uma honra, uma dedicação, uma paixão e uma servidão ter uma cátedra na universidade que me formei e tantos frutos me deu na carreira. Infelizmente, com a máquina $$ da graduação, a relação mestre/aluno se desgastou e pessoas como eu, que geram a estranheza e forçam o bom aprendizado, não são mais bem vindas nas instituições.
Encontrei, nos meus cursos livres, o espaço para passar o conhecimento da forma que acho certo. Cursos livres abraçados por outros profissionais que tem o mesmo ideal, a um valor justo, com uma metodologia própria e eficiente, hoje ministrada pela 8D Cursos. Assim quem sabe, possamos fazer diferença para alguns alunos.
Apesar do meu blog não ser dedicado a assuntos diversos, alguns assuntos não podem deixar de passar por aqui.
Aos amigos próximos, sabem da minha ligação com o automobilismo desde criança, a paixão por corridas e velocidade. Cresci assistindo a TODOS os GPs de Fórmula 1, e se perdi algum ao-vivo, sempre assisti a reprise. Adorava Nigel Mansell, respeitava o Piquet, tinha uma certa admiração pelo Prost, sempre gostei do Rubinho (e acho que sou o único torcedor vivo desse coitado azarado) e o grande ídolo sempre foi o Ayrton.
O dia da sua morte, infeliz coincidência também do aniversário da minha mãe, foi um dos piores que já vivi. Lembro da empolgação e da certeza que a partir daquele GP de Ímola o Ayrton ia virar o jogo sobre o "alemão", e como sempre acordei cedo para ver a corrida.
Sentei no sofá e ali fiquei o resto do dia, acompanhando atônito a todas as notícias. Convidados do aniversário?!? Não vi ninguém entrar e sair, não lembro de ter falado com ninguém. Só lembro das imagens e notícias que a Rede Globo disponibilizava sobre o acidente do Senna.
Os dias seguintes viraram história, e qualquer pessoa daquela geração, principalmente os paulistantos, lembram-se de como a cidade parou para homenageá-lo. Impressionante, coisa nunca vista antes. Eu, que estudo e pesquiso muito sobre criação de personagens e universos para os games, tenho certeza que Ayrton Senna da Silva é um dos pouquíssimos mitos brasileiros que vão de encontro à cultura popular.
Geralmente o herói nacional é o fraco, o desajeitado, o coitado. O Jeca Tatu. É uma característica do brasileiro "ter dó" dos oprimidos e torcer por ele, ao invés do vencedor e lutador. Usamos muito a característica da consciência coletiva quando pensamos em um novo jogo.
Senna primava pela perfeição, em ganhar, em ser o número 1, em ser melhor que qualquer um. E não escondia isso, não tinha vergonha, mostrava sua personalidade e que faria de tudo para conseguir a vitória.
Poucos sabem dos feitos do tricampeão aqui na cidade de São Paulo, a ajuda que fazia ao Hospital do Câncer e outras instituições. O lado humano do mito.
Hoje, lendo o blog de um , deparei-me com um fato que eu não sabia sobre o fatídico 1º de Maio de 1994: a homenagem que Senna faria ao Ratzemberger, pois tinha a certeza que ganharia aquela corrida. Senna era de fato um verdadeiro personagem herói.
Leiam o texto na íntegra abaixo, ou no blog do Flavio Gomes:
A batida foi forte e assustadora. O socorro, nessas horas, parece demorar mais do que deveria. O tempo que se leva para tirar o piloto do cockpit é interminável. O corpo estendido no chão e os paramédicos fazendo massagem cardíaca eram imagens a que nós, os jornalistas mais novos naquele mundo, não estávamos acostumados. Afinal, a última morte num fim de semana de corrida havia acontecido 12 anos antes, no Canadá. E a última de um piloto de F-1 pouca gente viu, em 1986, em testes privados na França. Mas o corpo estava estendido no chão, e a realidade daquele esporte despencava sobre nós sem tempo para grandes reflexões enquanto os paramédicos tentavam salvar aquela vida. Corri para o pequeno hospital do autódromo, ao pé dos boxes, na entrada do paddock. Ligaram os motores do helicóptero. O corpo saiu apressado numa maca, com um tubo de soro pendurado no vazio, isso eu notei, não havia nada conectado àquele corpo pálido, e os médicos continuavam batendo em seu peito, até que entrou no helicóptero e decolou contra o céu azul daquela tarde de primavera no norte da Itália. Poucas horas depois chegava a informação de que aquele piloto de 33 anos estava morto. A F-1 era seu sonho, depois de passar pela F-Ford, pela F-3000, por Le Mans, pelo Japão. Tinha um contrato de cinco corridas com uma equipe nanica, a Simtek. Nem se classificou no Brasil, mas conseguiu largar em Aida, chegou em 11º, era a felicidade em pessoa, embora fosse tímido e desconhecido. Bateu a 314,9 km/h na curva Villeneuve, depois de perder a asa dianteira de seu carro. Não teve a menor chance. Seu nome era Roland Ratzenberger. Hoje, dia 30 de abril, faz exatamente 15 anos de sua morte. A foto acima foi tirada no fim daquela tarde. Uma das cinco que bati naquele fim de semana, num tempo em que não havia máquinas digitais ou celulares cheios de megapixels. A Simtek ocupava o último box, ao lado do centro médico. O mecânico, fora do mundo, lavava as rodas dos carros da equipe como se nada tivesse acontecido, como se tudo não passasse de um pesadelo. A autópsia aconteceu na segunda-feira no Instituto Médico Legal de Bolonha. O legista que comandou os trabalhos, pouco depois, deu uma aula de ética médica aos seus residentes naquele mesmo prédio cinzento e sinistro. Com certa indignação pelo movimento que observava pelas janelas, ensinou aos seus alunos que não existiam categorias de morte, morte classe A e morte classe B. Dois corpos foram autopsiados naquele dia. Uma de suas residentes, quando foram fechados os caixões, colocou uma rosa na mão do mais conhecido. E duas na mão daquele rapaz que parecia esquecido pelo mundo. O mais famoso, soube-se depois, carregava uma bandeira da Áustria dobrada no bolso do macacão no dia seguinte, quando morreu de forma semelhante. Não queria que esquecessem aquilo que tinha acontecido no sábado. A bandeira no bolso do macacão foi o último dos exemplos que deixou.
Larry Harmon, o autêntico palhaço Bozo, fez história e imortalizou a imagem do tão querido personagem infantil.
Ele morreu hoje, dia 3 de Julho de 2008, aos 83 anos. Harmon se tornou milionário ao licenciar a marca "Bozo" e abrir uma escola de palhaços.
Lembro, meados de 1980, de assistir ao programa do Bozo no SBT. Era criança, e sempre acompanhado de um delicioso Danoninho, curtia os desenhos animados e as palhaçadas da turma do palhaço, a vovó Mafalda, Salsi Fufu (Pedro de Lara!!!!!!!!!), Papai Papudo e companhia.
Dos atores brasileiros lembro bem do Luis Ricardo, o qual interpretou Bozo por muitos anos.
Eita saudade da infância!
"Criança que gosta do Bozo
É feliz, feliz
Criança que gosta do Bozo
Sabe onde tem o nariz"