Adoro criar personagens, universos, games, roteiros!
Inventar histórias de como aquele personagem surgiu, como ele vive, qual o seu comportamento e como ele se relaciona com outros personagens de seu universo. Muitos artistas servem de inspiração na hora de criar um bom personagem. Podemos citar o americano Walt Disney com seu Mickey Mouse, o japonês Osamu Tezuka com seu AstroBoy, o francês Albert Uderzo com seu Astèrix, ícones dos quadrinhos como Jerry Siegel e Joe Shuster com seu Super-Homem, o brasileiro Maurício de Souza e sua Mônica e muitos outros, mas hoje vamos homenagear um homem que conseguiu criar um personagem tão popular, mas tão popular, que ele já chegou a ficar a frente de Mickey Mouse em uma pesquisa de popularidade da revista britânica RollingStone. Estou falando de Shigeru Miyamoto e sua maior criação, o italiano bigodudo, gorducho e baixinho conhecido mundialmente como Super Mario.

Mario nasceu no ano de 1981, criado para um jogo de arcade chamado Donkey-Kong. No início Mario não tinha esse nome, ele chamava-se JumpMan, ou o homem que salta, pois ele tinha que andar e saltar sobre os barris jogados por um grande gorila, que mantinha uma princesa cativa. O visual do personagem já lembrava o que conhecemos hoje, porém o famoso bigode foi mais um erro de representação gráfica do que um bigode propriamente dito. É que quando o primeiro artista desenhou JumpMan em uma malha de pixels de 8 bits muito pequena, ele traçou uma linha de um pixel de espessura logo abaixo do nariz do personagem para representar sua boca, mas o que aconteceu foi que, para o tamanho do personagem, a linha ficou tão grossa que todos viram ali o volumoso bigode que hoje é marca registrada do personagem.
O design de Mario passou por muitas modificações desde sua criação, porém nunca deixou de manter a identidade à idéia primária de Miyamoto, nem seu carisma e simpatia latentes. Mario já foi representado até mesmo como bebê, brinquedo e figura de papel, porém sempre mantendo suas características intocadas. Mesmo quando foi representado com um estilo quase de grafite de rua em Super Mario Strikers, jogo de futebol para o Wii.


Além de visualmente simpático, carismático e atrativo, Mario cativa também pelo seu perfil psicológico. Ele tem um grande valor moral, dá a vida para salvar o povo de um reino distante e está sempre disposto a superar qualquer desafio para resgatar a princesa Peach.
O universo de relacionamentos do personagem é bem vasto e muito rico em personagens tão bem elaborados quanto ele. Podemos citar aqui, Luigi, irmão de Mario, Toad, um habitante do Reino dos Cogumelos muito amigo da princesa, a Princesa em si, o eterno antagonista Bowser Koopa, o companheiro Yoshi, os anti-heróis Wario e Waluigi, sem contar um sem número de inimigos marcantes que já passaram por seus games.
Outra grande criação desse gênio da industria dos vídeo games é uma lenda. The Legendo f Zelda é uma fantasia medieval protagonizada por um personagem muito bem estruturado em sua concepção. Trata-se de Link, o eterno heróis do reino de Hyrule. Link está sempre disposto a enfrentar o vilão Gonondorf para manter a princesa Zelda em segurança. O mais interessante em Link é que ele foi criado para ser a representação virtual do jogador. Reparem que Link nunca fala em seus games, nunca se expressa facialmente e sempre que interage com outro personagem, fica quase parado, olhando para este. Shigeru Miyamoto quis que Link fosse assim para que o jogador e não o personagem interagisse com a trama. Maior prova disso é o nome do personagem: Link, que em inglês significa ligação, elo. Na verdade Link é uma ligação entre o jogador e o mundo virtual de Hyrule.

Mas não é por isso que Link é um personagem pobre ou menos importante que Mario, ao contrário, ele é intrigante, misterioso e imponente. Um verdadeiro herói.
Assim como Mario, Link já foi retratado de diversas maneiras, mas, sendo um personagem muito bem estruturado e sólido, nunca perdeu a identidade original Enem deixou de passar aquela imagem do herói nobre e puro, que faz o bem pelo simples fato de ser o bem.
Agora uma curiosidade: você sabia que o Link que você controla em um game, não necessariamente é o Link que você controla em outro jogo da saga? Pois é, cada Link pode ser um personagem diferente ou todos eles podem ser um único ser. Shigeru Miyamoto nunca deixou isso claro, mas isso faz parte do mistério de um personagem muito bem criado.
Novamente quero parabenizar Shigeru Miyamoto pelo trabalho, e se você gosta de criar personagens lembre-se: não basta desenhar um bonequinho bonitinho no papel, um bom personagem é bem mais que o desenho que o representa.
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