O título Indústria de games elogia desemprego publicado no Plantão Info chega a assustar. Eu me senti como um daqueles guerreiros Hunos da época medieval roubando comida e destruindo vilarejos do Império Romano!

Obviamente o editor da revista pretendia chamar a atenção com um título como esse. Parabéns, conseguiu. Apesar da reportagem passar uma lição de negócios para empresas em época de crise, a primeira impressão foi negativa. Mas vamos às opiniões.

O modelo de negócio dos MMORGs realmente é muito interessante. Diz a regra que deve-se ganhar faturamento pela quantidade, e não qualidade. Em alguns casos funciona, gerando assim uma falsa percepção de que qualquer jogo online trará sucesso.

O famoso WoW (World of Warcraft) é um case a parte. Líder absoluto do mercado mundial, gera inclusive um mercado paralelo absurdo. Venda de personagens, itens e clãs é comum em leilões como eBay, e movimenta muita grana! O jogo em si é divertido e bonito, trabalha com a mitologia e psicologia das pessoas.

Outros 2 grandes jogos presentes no Brasil são o Ragnarok e o Priston Tale. Febre entre os adolescentes, já vi até casamento virtual entre personagens, e alguns outros casos reais de "locura momentânea" de jogador viajando de ônibus até a sede da empresa procurando o game master (GM) que tirou determinada peça do seu inventário.

Cartão de acesso Ragnarok

Fanatismos à parte, o mercado é milionário e criativo. Distribuir um jogo gratuitamente vai contra as regras da indústria da diversão (um jogo de Wii custa em média 170 reais). Para citar, o Priston Tale e o Audition são jogos totalmente gratuitos, sobrevivem da venda de objetos virtuais, como roupas, magias, armas e mesmo a aparência do personagem.

Cabe aos distribuidores trabalharem o canal de vendas: lan houses, bancas de jornais, lotéricas, papelarias e qualquer outro reduto gamer que você possa pensar. É fácil para o garoto, munido da sua mesada, comprar os cartões pré-pagos e se divertir! Qualquer forma de chegar a esse consumidor é válido.

Outro ponto para pensar é o que leva um jogo como esse ser um sucesso? Não pense que simplesmente ser um MMORPG é a solução de todos os problemas. Existem vários jogos por aí que não deram certo, torraram muita grana e deixaram os investidores a ver navios.

A princípio a "caldeirada" de mitologia + psicologia + misticismo + época medieval + guerras deu certo. Jogue uma pitada de comunidade, ou seja, deixe as pessoas criarem clãs e definirem seus líderes. Acrescente uma boa equipe de Game Masters e a constante renovação de inimigos e desafios, e temos a fórmula de alguns sucessos de mercado.

Recentemente uma empresa brasileira, a Hoplon, lançou o jogo Taikodon, uma saga espacial. Sinceramente estou curioso quanto ao sucesso desse jogo nacional, pois apesar da ficção científica ter muitos adeptos, quantos gostam do gênero em um game? E o público-alvo dos jogos massivos online, será que aceitarão bem esse jogo futurista? Ele vai na contramão dos grandes sucessos. Só o tempo dirá.