Arte moderna e saudosista ao mesmo tempo.


Depois de mais de 20 anos, a Nintendo desfaz uma injustiça que apertava o coração de muitos ‘gamers’ espalhados pelo mundo (eu estou incluso neste grupo) e lança Punch-Out! para o Wii.

O Punch-Out! original surgiu nos ‘arcades’ no ano de 1983 e logo migrou para o NES (o console doméstico da Nintendo de 8 bits, conhecido popularmente como Nintendinho) emcabeçado pelo nome de Myke Tison, que até então era alguma coisa. Tratava-se de um jogo de boxe caricato e muito engraçado, no qual, o jogador tinha que ter a habilidade de memorizar seqüências e agilidade suficiente para surpreender o computador. Um jogo extremamente difícil, porém muito divertido e com fator altíssimo de ‘replay’.

Bom, mas estamos aqui para falar de arte, não é mesmo? Pois bem, o novo Punch-Out! para o Wii na verdade é uma homenagem e um resgate ao original dos 8 bits e a equipe de artistas que trabalharam no jogo conseguiram fazer um trabalho verdadeiramente primoroso. De volta aos anos 1980, já podíamos constatar que a direção de arte e o design dos personagens já era levado a sério no projeto. Lutadores caricatos, desenhados com proporções distorcidas e muito engraçadas desfilavam pelo ringue. (Abaixo, podemos conferir o postar de lançamento da máquina de ‘arcade’ em 1983).

Algum tempo depois, o game aparecer no Super NES, console de 16 bits da Big N. Nessa versão, o protagonista não tinha muito a ver com o original, mas a direção de arte deu um verdadeiro show com sprites inspiradíssimos e enormes para a época. Pixel-art na veia!

Tendo em base a proposta original e a legião de fãs, os artistas atuais da Nintendo conseguiram modernizar e, ao mesmo tempo, resgatar essas mesmas características de personagens que marcaram uma época. Da tradicional e genial pixel-art para a ilustração digital, personagens como o protagonista Little Mac e o gorducho King Hippo renasceram de forma majestosa.


E não foi só o design dos personagens que passou por essa nova roupagem. A jogabilidade e os cenários, a pesar de completamente modernizados pela tecnologia 3D e pelos sensores de movimento do console, ainda nos fazem lembrar dos bons tempos dos 8 bits. Os modelos 3D obedecem à risca a arte conceitual elaborada pelos artistas e a animação é um fator à parte de tão bem feita.

Concluindo, novamente a Nintendo dá um banho na direção de arte de um game de uma das franquias mais importantes da empresa. Desde a arte conceitual até a finalização do jogo em si, os designer, ilustradores, modeladores e animadores da gigante japonesa provam que trabalhar com dedicação e paixão faz a diferença. Eles só cometeram um erro, na minha opinião: não colocaram o Mario para ser o juiz, como no original dos anos 1980.

artigo original publicado no blog do Carlos Sighieri.