Em 1999 aconteceu a inauguração da sede da Sun no Brasil, na rua Alexandre Dumas, SP. Diversas personalidades, dentre elas o ex-governador Mário Covas, empresários do setor, jornalistas, o oba-oba de sempre. Eu e meu amigo/parceiro de pesquisa Daniel Alvares fomos convidados para apresentar o nosso projeto de pesquisa em inovação para internet.
Chegando lá, a primeira piadinha que ouvimos foi: "Já colocaram a geladeira na internet?".
(dica da matéria da torradeira de Fred Ramos)
Gozação era comum naquela época. Para quem iniciou a desenvolver projetos de internet em 1996, ser chamado de geek, nerd, louco era coisa corriqueira.
No currículo dos cursos de Ciência da Computação, a linguagem para aprendizado era C, e não Java. Por sorte (sorte?) do destino, nosso sugeriram que a pesquisa utilizasse uma nova linguagem, uma tal de Java .
Topamos. Nesse meio-tempo vimos nascer o asp (da Microsoft), quando recebemos um material Beta para testes. Java estava engatinhando. Bruno Souza, o "javaman", ainda era javaboy (rsrs). A Sun praticamente não tinha documentação além da API. Existia 1 (HUM) livro de Java, o qual guardo como relíquia até hoje.
A pesquisa resultaria em um sistema publicador e gerenciador de estágios, o qual seria utilizado pela PUCSP posteriormente. Tudo era desktop, desenvolvido em applet. No meio do nosso projeto apareceram a tecnologia Jini e em seguida o JSP. Mudamos para essa última, sem documentação, sem case, sem nada. Foi como colocar a faca nos dentes e ir pra guerra. Aí nasceu nosso contato com o pessoal da Sun, pois éramos uma fonte de debug para a linguagem, além de algumas sugestões para a primeira versão da linguagem.
Jini era uma derivação de Java para conectar aparelhos à internet. Daí vem a piadinha da geladeira, pois o criador da linguagem soltou uma nota na época falando sobre utensílios domésticos. Muitos acreditavam que era isso que fazíamos. Para que colocar a geladeira plugada na internet? Oras, é óbvio, para que o supermercado saiba quando o leite está acabando, e assim enviar uma nova remessa.
WOW!!! É a casa dos Jetsons? Sim, na época era pura ficção científica, sem um porque de existência.
Mas hoje, vemos além da tecnologia, a evolução do modelo de negócios. Hardware, software e conectividade está virando commodity. A informação é o real valor, e mediante N teorias como a Cauda Longa, a possibilidade da geladeira conectada é uma realidade plausível, e porque não dizer que é a salvação da lovoura para outros mercados, como vou descrever a seguir.
Você fecha um contrato com uma grande rede de supermercados, que te dá, ou cobra muito pouco, por uma geladeira de última geração. Ela, obviamente, está conectada na internet (BINGO!) e ao sistema do supermercado. Por meio de sistemas, sensores, acelerômetros, e outros "ômetros", o fornecedor efetivamente sabe quando você vai precisar de um novo produto.
Aí eles te enviam uma remessa de compras do supermercado, o qual você paga no cartão fidelidade ou coisa do gênero. E é claro que o contrato dura no mínimo 12 meses, com garantia mínima mensal de utilização e pagamento.
Já viu algo assim? Sim, telefonia celular, baby
Bom, depois dessa longa história, veja nesse link o texto sobre a . Claro, ainda conceitual, mas não deixa de ser interessante.




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