Aconteceu na Campus Party 2009, dia 21/01,  às 21h (com o devido atraso, 21h20) o SE JOGA – Como entrar no competitivo mercado de games, debate promovido pela IGDA São Paulo destinado às pessoas que desejam trabalhar com games, principalmente estudantes da área.

Campus Party 2009

participantes da Ubisoft, EA, Gabba e Abdução. Mediação por Guilherme Tsubota.

Estavam presentes na mesa profissionais renomados do mercado:  Carlos Estigarribia (EA Mobile), Danilo Almeida (GABBA), Daniel Garcia (Abdução) e Nicholas Souza (Ubisoft), além do mediador que aqui escreve, Guilherme Tsubota :-)

Fiz uma breve apresentação de cada um dos participantes. Danilo é formado em Design Digital, Carlos é Engenheiro da Computação formado pela PUC-Rio,  Daniel estudou Comunicação Social (PP) e Nicholas é bacharel em Game Design pela Anhembi-Morumbi (1a turma de formandos).

Cada um contou um pouco a sua tragetória profissional até o momento atual. É interessante observar que todos afirmaram o “amor” aos games. Realmente, o caminho não é fácil, as vagas são poucas e esse mercado não é dos maiores salários. Para conseguir uma boa vaga tem que ser um bom profissional, comprometido, apresentar resultados, ter foco e fé.

Sim, fé. A palavra fé foi dita diversas vezes. ;-)   será que isso é para assustar ou incentivar os estudantes do setor? Ou será que é a dura realidade do mercado? Gosto de apostar na realidade, pois assim como em qualquer vertical, trabalhar com games requer perseverança e constante atualização do profissional.

Como diz um amigo, No Pain No Gain!

Campus Party 2009

debate IGDA na Campus Party Brasil 2009

A filosofia Nike também tem tudo a ver: Just Do it. Você quer batalhar por um bom emprego? Faça. Faça demos, crie personagens, roteiros. Faça animações, modelagem 3D. Programe, crie código. É fundamental mostrar o que você sabe fazer, ter o seu portfólio. Por que não criar um blog com tudo isso?

É consenso entre todos da mesa a contratação de pessoas que mostraram serviço, de alguma forma. Você não precisa criar um jogo completo, mas mostrar potencial.

Outro ponto interessante foi a discussão sobre o profissional especialista x generalista. Aquela pessoa que faz tudo está em baixa nesse momento nas empresas de games. A necessidade principal são os especialistas: programação, design, roteiro, trilha sonora, modelagem 3D, game designer. Foque na área que mais lhe agrada e estude, evolua, mostre seu portfólio.

Campus Party 2009

profissionais reunidos antes do debate: Tsubota (iG/8D), Carlos (EA), Nicholas (Ubisoft) e Daniel (Abdução)

A velha discussão sobre pirataria foi um dos temas. Infelizmente é algo complexo, que envolve desde a atuação das empresas, profissionais, acadêmicos, até a cultura do próprio consumidor. Não é só o fato de um game custar aproximadamente 200 reais. Também não é só o fato do brasileiro querer tudo de graça.

Aliás, foi interessante a metáfora do jogo pirata com uma festa. O brasileiro, via de regra, quer sempre dar um “jeitinho”, por exemplo entrar de graça em uma festa. Vale até falar que é amigo do baterista! Se ele é assim por criação, por que não querer um jogo de “graça” também? (assunto complicado)

Nicholas falou algo muito interessante. Um jogo pirata custa em média 10 a 20 reais.  Quem compra jogo pirata, geralmente compra uma média de 5 a 10 jogos por vez. O fato é que essa pessoa não joga nenhuma das suas aquisições a fundo, não “zera” nenhum jogo. Oras, por que não comprar um jogo original e realmente aproveitá-lo ao máximo? Jogar diversas vezes, “zerar” o game, curtir todas as fases?

No final, a sensação de aproveitamento do investimento é muito maior! Particularmente, gostei desse ponto. Parabéns, Nicholas.

Para finalizar, gostaria de agradecer as diversas iniciativas de profissionais espalhados pelo nosso Brasil para ajudar a indústria dos games. Somos pioneiros, isso é fato. E como todo pioneirismo, muitos ficam pelo caminho, poucos efetivamente vencem. Mas todos foram fundamentais para abrir as portas para a próxima geração de profissionais. Tenho fé que o trabalho que fazemos hoje para divulgar e profissionalizar esse mercado será reconhecido no futuro.

Há pouco tempo não imaginávamos um estúdio como a Ubisoft no Brasil. E agora é tanto realidade que ele cresceu com a aquisição da tupiniquim-gaúcha Southlogic. Maravilha, ponto para nós! Apesar de ser ótimo, quero ver notícias de profissionais sendo reconhecidos, contratados, estúdios startups aparecendo e coisa do tipo.

Boa sorte a todos.

Campus Party 2009