Recentemente concedi uma entrevista ao Diário do Comércio de São Paulo para a matéria “Decifra-me ou te bloqueio”, publicada no Caderno de Informática de 14 de abril. O objetivo era falar sobre o QR-Code, sobre as verdades por trás do que acontece com o mercado, principalmente o de publicidade (entenda-se Mobile Marketing).
Vocês podem ver mais detalhes sobre essa entrevista no site da 8D, clicando aqui.
Sou defensor da política “cada macaco no seu galho”, e acredito que isso ainda não acontece no mundo da mobilidade. Como é uma indústria nova, é o momento em que os profissionais começam a fincar suas bandeiras para garantir seu lugar ao sol. É interessante ver esse movimento e perceber que não só engenheiros, analistas de sistemas ou técnicos, mas também filósofos, historiadores, matemáticos, economistas, psicólogos e afins tentam entrar nesse mercado.
Isso me lembra o filme “Um Sonho Distante” (1992) com Tom Cruise e Nicole Kidman. Cruise está no papel de Joseph, um jovem irlandês que perde tudo e vê na América um lugar para realizar o seu sonho: ter a sua própria terra. Vale a pena assistir, é muito bom, com uma fotografia interessante e roteiro bem inteligente.
Getting back on track, o mercado mobile passa por isso ainda em 2009. Lembro-me de um fato ocorrido em meados de 2005 (ou seria 2006?) na Tela Viva Móvel, evento realizado em São Paulo que reúne grande parte dos fornecedores da área. Na época era um dos donos da Variari, empresa pioneira em mobilidade no Brasil. Fui com meu ex-sócio ao evento, e lá conheci um rapaz, Terence Reis.

O mesmo estava iniciando no eixo Rio-São Paulo, que é onde os principais negócios acontecem. Tinha adquirido uma mesa no evento para expor os seus produtos. Rapaz antenado, empreendedor, veio SOZINHO de Belo Horizonte representar a sua empresa, dando a “cara a tapa” entre os figurões das operadoras. Depois de 4 anos, hoje ele é um dos managers da Mobile Marketing Association (MMA), representando o Brasil nessa organização que tenta colocar um pouco de ordem no mercado de publicidade móvel.
Terence é um bom exemplo de um mercado ainda em expansão, incerto, prematuro, mas com potencial absurdo e inimaginável, e que atrai profissionais de todas as áreas. Ele não é nem especialista técnico e nem publicitário, mas conseguiu mostrar seu valor e se manter no mercado.
Percebam que há pouquíssimo tempo possuir um celular era fato raro. De 2 ou 3 anos para cá isso mudou, e hoje o raro é ver alguém sem o aparelhinho. E as possibilidades de negóciobrilham aos olhos de empresas e profissionais, algumas que realmente trabalham a sério, como o nosso colega citado nesse post, e outras nem tanto, apenas interessadas na sua fatia do bolo $$$.
Cuidado com o Dick Vigarista!
Nesse momento aparecem magicamente diversas pessoas se dizendo especialistas no assunto, vendendo o conto do vigário sem aceitar o ouro do pote do fim do arco-íris como pagamento. Conheço diversos cases que prometiam rios e fundos, e no final foram um fiasco de usabilidade, marketing, vendas, etc etc etc.
É muito assunto para um post discutir sobre a melhor forma de trabalhar o seu projeto mobile. Existem diversas variáveis que devem ser levados em consideração. Para os que quiserem se aprofundar no assunto, entrem em contato ou participem do meu curso de Projetos Mobile da 8D.
Em qualquer projeto Mobile, temos que pensar no público final e na facilidade de uso. Além disso, nas diversas maneiras que esse produto chegará até ele. Questões como “é pago?”, “é complicado de fazer download e instalar?”, “tem utilidade mesmo?” devem ser respondidas com muito critério.
Acho importante falar brevemente das vantagens e desvantagens do QR-Code, ditas na entrevista porém que não publicadas. Algumas vantagens:
- Qualquer celular (ou outro dispositivo móvel) que possa rodar o software (geralmente desenvolvido em J2ME), possua câmera fotográfica e tenha acesso a internet (wap, 3G, wifi, etc) pode utilizar o QR-Code,
- É uma evolução do código de barras, com um novo algoritmo que reconhece o espaço bidimensional, ao invés do unitário (barras). Isso possibilita uma maior quantidade de informações em um espaço impresso pequeno,
- A tecnologia foi altamente testada no Japão desde a sua invenção em 1994, ou seja, já está bem madura (pensando do lado de TI),
- Não é proprietário, ou seja, qualquer empresa pode utilizar, desenvolver o seu software, etc,
- A imaginação é o limite da utilização. Lembrem-se, nem tudo é mobile marketing. QR-Code está muito além, e o setor de serviços poderá ser amplamente beneficiado com isso (e com a evolução dos celulares). Por exemplo, imaginem uma rede de fastfood. Ele poderá colocar uma mera imagenzinha na embalagem, e ao seu celular reconhecer ela, receber na tela informações nutricionais, dicas, e outras informações do lanche. O mesmo pode acontecer com qualquer coisa, inclusive um grande player de varejo online poderia lançar um serviço de comparação de preços ou acesso a informações mais detalhadas dos seus produtos. Uma outra utilização poderia ser em hospitais, laboratórios.. etc etc etc.
Mas é claro, também temos desvantagens:
- É restrito a quem tem um celular com o software instalado. E como pouquíssimos modelos saem de fábrica com isso, o dono do celular tem que fazer o download… só esse processo já é uma barreira no Brasil devido a problemas como o valor gasto com a transferência (download), sendo imensa a base de celular pré-pago. Entramos também na barreira do conhecimento: download e instalação,
- Ter o QR-Code no celular sem acesso a internet não vale a pena. Quem tem acesso a internet praticamente é quem tem linha pós-paga, que é uma minoria,
- Pouquíssimos serviços ainda aderiram ao QR-Code, ou seja, o usuário terá poucas opções.
Não tenham preguiça de pensar, planejar… e sempre com o pé no chão. Lembre-se, você é uma minoria da população.