Tenho recebido vários contatos referente ao escritório da Ubisoft no Brasil, mais precisamente em São Paulo. Gostaria de esclarecer que até o presente momento eu não sou funcionário da Ubisoft, e meu relacionamento com eles (até o momento) é apenas networking.
Mas como estou na indústria dos games há muitos anos, acabo servindo de Networking Hub!
Como comentei sobre a minha felicidade no outro artigo sobre a chegada de um grande estúdio ao Brasil de forma séria e comprometida, volto a afirmar que isso demonstra o potencial dos nossos profissionais, assim como o nosso preço competitivo frente a outros mercados.
Basicamente o Brasil é conhecido como integrante da Classe Média global. Não somos mais um país pobre, porém não somos dos chamados Primeiro Mundo. Fazemos parte do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), as potências em crescimento. Mas temos uma vantagem sobre os outros: somos do Ocidente!
Além das questões de fuso horário, a cultura brasileira é muito mais próxima dos países norte-americanos e europeus. Nosso entendimento dos problemas, estresses, alegrias, processos, trabalho e todo o resto é muito mais próximo. Essa vantagem natural é fundamental em alguns casos. Como sou atualmente Executivo de Novos Negócios de uma multinacional de comunicação (Havas Digital - Media Contacts), percebo isso claramente.
Em uma das minhas experiências na indústria dos games, quando fui Gerente da Kaizen Games e era responsável, dentre outras coisas, pela gestão dos projetos de Second Life no Brasil, senti essa diferença de cultura também. A empresa publica no Brasil os MMORGs coreanos, como o Priston Tale e o Audition. É interessante perceber que a Coréia é um dos líderes mundiais nesse tipo de entretenimento, mas ao receber visitas do pessoal dessas empresas era visível o choque de culturas.
Voltando ao ponto inicial, eu dizia que temos muito potencial profissional para crescimento na indústria global dos games. Nos últimos anos vimos o surgimento de diversas faculdades para produção de games, cursos, aumento das empresas nacionais e interesse pelos governos estaduais e federais. O cenário é muito positivo.
Mas volto a dizer, temos que ter em mente a clareza do nosso momento. O Brasil não tem experiência na produção de grandes jogos digitais. Os profissionais que aqui se encontram, em sua grande maioria, nunca trabalharam em projetos grandes onde sua atuação acaba sendo extremamente focada. Vemos no mercado pequenos estúdios, onde um profissional atua em várias frentes simultaneamente.
Designer e modelador 3D. Programador e Tester. Gerente de Projetos, QA e Arquiteto. Concordo que o brasileiro tem o famoso "jeitinho" de resolver suas coisas, mas é muito importante que a gente perceba isso e aprenda. Vamos aprender com a experiência dessas empresas que aqui chegam. Vamos ouvir e prestar atenção.
Para concluir, desejo boa sorte para a Ubisoft. Sei que as contratações já estão ocorrendo e tenho fé que a equipe montada vai representar bem o que o Brasil pode fazer na indústria lá fora. Sei também que algumas movimentações acontecem em outras multinacionais que já estão aqui, e que devem fazer barulho em breve. Vamos aguardar os próximos capítulos!
OBS: Empresas, cuidado com as associações, essas "entidades sem fins lucrativos". No final elas se tornam poleiros de algumas poucas pessoas aguardando para abocanhar seu espaço. Não pensam necessariamente no bem da indústria, nem da própria empresa, como um todo.